Como fazer segunda voz?

Chegou o tema mais pedido pelos meus alunos: segunda voz. Este é um assunto um pouco complexo, pois mescla a voz com um pouco de teoria musical. No entanto, tentei deixá-lo o mais fácil possível para que qualquer um consiga entender como esse recurso musical funciona.

Além disso, também trago um vídeo no qual eu faço uma análise minuciosa da música Borboletas de Victor & Leo! Legal, né? Esse assunto é tão amplo que eu certamente irei abordá-lo novamente em outros vídeos. Mas saiba que com essas dicas iniciais você já pode começar a fazer (e até mesmo criar!) as suas próprias frases. Então continue lendo este artigo e aproveite!

Aprenda um pouco de escalas

Teoria Musical e Segunda VozÉ claro que é possível criar uma segunda voz muito legal sem saber nada de teoria musical, mas entender um pouquinho ajuda bastante. Afinal, você pode se basear na escala da música para montar essa segunda linha vocal. E, entendendo teoricamente como as notas se comportam, você pode pegar o seu instrumento para ir montando as frases.

Além disso, vale lembrar que a segunda voz pode ficar mais ou menos tensa de acordo com as notas que você colocar (falaremos um pouco mais disso ao final do artigo). E essa tensão pode ser percebida em alguns níveis, como em relação à melodia principal, aos acordes que sustentam a harmonia e ao tom da música.

Por exemplo, imagine que a sua canção esteja no tom de Dó Maior e tenha um trecho com a seguinte progressão: Dó, Fá e Sol com Sétima (a clássica cadência harmônica I-IV-V). Se pensarmos em uma segunda voz feita encima do acorde de Dó, poderíamos usar as notas Dó, Mi e Sol para compor uma melodia que não soe tão tensa. Mas também podemos sair disso e colocar as notas Si e Ré para trazer essa tensão.

Pensando no tom da música, podemos usar quaisquer notas da tonalidade de Dó (Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si). Umas soarão mais tensas e outras menos tensas, de acordo com o acorde e com a melodia principal. Porém, nada te impede de pensar em notas que estão fora da tonalidade de Dó! Elas soariam ainda mais tensas, mas podem servir como ponte para uma mudança de tonalidade ou apenas para trazer um charme a mais.

É claro que quanto mais “fora da caixa” for a sua segunda voz, mais difícil será de cantá-la. Afinal, todo bom cantor consegue se manter afinado com mais facilidade com uma referência, seja ela dos acordes ou da escala. No entanto, quando saímos dela tudo começa a ficar mais complicado!

Baseie-se na melodia principal para criar a segunda voz

No tópico anterior, eu falei da segunda voz criada com base nos acordes e na escala, mas não falei da criação com base na melodia. Isso foi proposital por dois motivos. O primeiro é que esse é o jeito mais óbvio (e até mesmo “mais sensato”, digamos assim hehe) de criá-la. O segundo é porque eu tenho um ótimo exemplo prático para te mostrar.

Essa obviedade da criação da segunda voz encima da melodia não é um demérito, muito pelo contrário! Isso porque em muitos casos, a segunda voz tem a função de acompanhar a melodia principal. Dessa maneira, alguns trechos específicos da letra são enfatizados. Então nada mais justo do que pensar nela para compor o seu apoio, né?

E para mostrar isso de uma maneira prática, eu trouxe a música Borboletas do Victor e Léo que tem uma segunda voz muito linda e bem pensada. Ela se baseia bastante na melodia principal, ressaltando algumas partes da canção que ganham um brilho especial! Veja no vídeo abaixo:

Saia do lugar comum ao criar a segunda voz

Pense fora da caixa ao criar a segunda voz!Em geral, muitas cantores se baseiam em fazer terças, quintas ou oitavas da melodia principal na segunda voz. Isso acontece porque esses são intervalos consonantes (embora hajam divergências históricas), soando mais harmoniosos ou menos tensos aos nossos ouvidos. Enquanto isso, outros intervalos como os de sétima e o de segunda são dissonantes, soando mais tensos aos nossos ouvidos.

Bem, mas não é porque esses intervalos são tensos que você precisa deixar de usá-los, né? Às vezes é justamente dessa tensão a mais que a sua música precisa! Por exemplo, sem entrar em muitos detalhes, podemos perceber que o intervalo de nona também pode ser visto como uma segunda numa montagem de acordes. E, em diversos casos, ele oferece uma tensão pouco aparente e muito legal, como em pianos charmosíssimos que seguram a base de alguns jazz.

Gostou desse assunto?  Como dito no início do texto, certamente farei outros artigos sobre segunda voz para que nos aprofundemos um pouco mais. Mas se você quer entender tudo sobre o tema, além de descobrir um pouco mais de teoria musical, que tal conhecer o curso Vocal Completo? Nele eu falo bastante sobre o assunto, então clique aqui e veja o Vocal Completo!

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2 thoughts to “Como fazer segunda voz?”

  1. Olá, tudo bem? Parabéns pelo canal, e obrigado pelos vídeos. Nesse vídeo da música Borboletas, você diz que a segunda voz acompanha as notas do acorde em certo momento. Tenho uma dúvida. Por exemplo, se tenho a melodia principal (primeira voz), e criou a segunda me valendo das terças correspondentes às notas, seguindo a escala da tonalidade. Numa música no tom de Sol Maior, em determinado da harmonia Tenho um acorde de SOL maior e Logo após um RÉ maior. A melodia principal começa na nota Sol, passeia por outras notas e finaliza no primeiro tempo do acorde de RÉ com a nota Lá, que é a quinta do acorde. Se a segunda voz começar na terça da nota Sol, terei um Si, passeio pelas outras terças das notas seguintes e quando chegar o Lá, terei a nota Dó como terça, mas essa nota Dó, não faz parte da tríade de do acorde de RÉ, que é o acorde onde entra essa nota dó. Isso é possível?

    Obrigado, grande abraço.

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